Etiqueta Psicoperistaltismo; Emoções; Intestino; Psicoterapia Biodinâmica; Neurociência.  

Entre o desejo e a permissão – Uma experiência pessoal com a psicoterapia corporal biodinâmica

Este artigo apresenta um relato de experiência desenvolvido no âmbito do Curso de Iniciação à Psicoterapia Corporal Biodinâmica – 13ª edição, no qual a autora explora, a partir da vivência de exercícios corporais e dos processos emocionais despertados durante a formação, algumas das relações entre corpo, emoção e funcionamento psíquico.
A reflexão é enquadrada pelo diálogo entre diferentes perspetivas teóricas: o conceito de conflito intrapsíquico em Sigmund Freud, a noção de couraças musculares proposta por Wilhelm Reich, a distinção entre personalidade primária e personalidade secundária desenvolvida por Gerda Boyesen, e a contribuição das neurociências de António Damásio acerca da inscrição das emoções na fisiologia do corpo.
A partir desta articulação teórica, o texto convida a compreender como as emoções podem manifestar-se e permanecer inscritas no corpo, evidenciando a importância da escuta corporal no processo psicoterapêutico. O trabalho destaca o corpo como um aliado fundamental no processamento emocional e no caminho de reencontro com a autenticidade e a vitalidade.

As Emoções aos Olhos do Intestino – o Diálogo entre Biodinâmica e Neurociência

Na Psicoterapia Corporal Biodinâmica, fundada por Gerda Boyesen, o corpo não é apenas o lugar onde as emoções se manifestam, mas um agente ativo na sua regulação. O conceito de psicoperistaltismo introduz a ideia de que processos emocionais podem ser literalmente metabolizados através do sistema visceral, colocando o intestino no centro da vida emocional.
Curiosamente, a neurociência contemporânea — nomeadamente através dos contributos de António Damásio — vem confirmar, por outras vias, a profunda integração entre cérebro, sistema nervoso autónomo e órgãos viscerais. Emoções, sentimentos e estados corporais formam um sistema indissociável, regulado em função da homeostase e da preservação da vida.
Neste artigo, a Draª Maria Romão, no âmbito da conclusão do Curso de Iniciação à Psicoterapia Corporal Biodinâmica – 13.ª edição do IPPC, propõe um diálogo cuidadoso entre estas duas perspetivas: onde convergem, onde divergem e de que forma a clínica biodinâmica pode ser pensada à luz dos avanços científicos atuais, sem perder a sua riqueza fenomenológica e relacional.