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As Emoções aos Olhos do Intestino – o Diálogo entre Biodinâmica e Neurociência

Na Psicoterapia Corporal Biodinâmica, fundada por Gerda Boyesen, o corpo não é apenas o lugar onde as emoções se manifestam, mas um agente ativo na sua regulação. O conceito de psicoperistaltismo introduz a ideia de que processos emocionais podem ser literalmente metabolizados através do sistema visceral, colocando o intestino no centro da vida emocional.
Curiosamente, a neurociência contemporânea — nomeadamente através dos contributos de António Damásio — vem confirmar, por outras vias, a profunda integração entre cérebro, sistema nervoso autónomo e órgãos viscerais. Emoções, sentimentos e estados corporais formam um sistema indissociável, regulado em função da homeostase e da preservação da vida.
Neste artigo, a Draª Maria Romão, no âmbito da conclusão do Curso de Iniciação à Psicoterapia Corporal Biodinâmica – 13.ª edição do IPPC, propõe um diálogo cuidadoso entre estas duas perspetivas: onde convergem, onde divergem e de que forma a clínica biodinâmica pode ser pensada à luz dos avanços científicos atuais, sem perder a sua riqueza fenomenológica e relacional.

Quando o Corpo Fala: A Sexualidade na Psicoterapia Biodinâmica

Porque é que, mesmo após anos de compreensão, insight e trabalho verbal, certos sintomas persistem? Porque é que o corpo continua a reagir onde a mente já “entendeu”? A Psicoterapia Corporal Biodinâmica parte de uma constatação clínica clara: há experiências emocionais — sobretudo ligadas à sexualidade, ao prazer e à intimidade — que ficam inscritas no corpo de forma silenciosa, fora do alcance da palavra. Desde cedo, mensagens de repressão, proibição ou vergonha não apenas moldam a narrativa interna, mas organizam o tónus muscular, a respiração e a capacidade de sentir. Quando emoções não podem completar-se, o organismo desenvolve couraças: estratégias de proteção que preservam a integridade psíquica, mas que, com o tempo, podem limitar a vitalidade, a excitação e a autorregulação. Nestes casos, falar sobre a experiência não é suficiente — porque aquilo que nunca pôde ser plenamente sentido também não encontra facilmente linguagem.
Foi a partir desta questão clínica que a Dra. Beatriz Raposo desenvolveu a sua investigação, no âmbito da conclusão do Curso de Iniciação à Psicoterapia Corporal Biodinâmica – 13.ª edição do IPPC.

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